segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Plebe Rude - Nação Daltônica [2014]

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Por Mauro Ferreira em Rolling Stone

O Plebe Rude e o Aborto Elétrico (que, ao se dissolver, gerou o Legião Urbana e o resistente Capital Inicial), foram as bandas de pós-punk que mexeram com a cena roqueira de Brasília na década de 1980. Apesar das dissidências e rupturas ao longo da estrada, o grupo sempre se manteve coerente, tendo à frente o vocalista e guitarrista Philippe Seabra. O repertório de Nação Daltônica, primeiro álbum de inéditas desde R ao Contrário (2006), conecta a banda brasiliense às suas origens oitentistas. Seabra gravou a obra junto ao baixista-fundador André X e ao vocalista e guitarrista paulistano Clemente (que passou a integrar a banda nos anos 2000, sem abandonar seu pioneiro grupo Inocentes) e ainda teve a adesão do baterista brasiliense Marcelo Capucci. Na capa do CD, a ilustração do garoto de frente para uma TV fora do ar remete à capa do primeiro álbum da banda, Nunca Fomos Tão Brasileiros (1987), no qual o mesmo garoto era o espectador, em uma rua, de uma cena de caos urbano. O recado parece ser que as coisas não mudaram tanto assim no Brasil, exceto a alienação do povo que, apagada a chama dos protestos de junho de 2013, já voltou silencioso das manifestações para casa. “Demagogia vem da capital/ E o vazio distinto do canal/ Goela abaixo pois sabem, não faz mal/ Porque é só entretenimento no final”, dispara a banda contra a mídia televisiva em versos de “Anos de Luta”. Antenadas, as letras (quase todas assinadas solitariamente por Philippe Seabra) soam bem mais fortes do que as melodias. Talvez por isso mesmo o disco cresça nas faixas de maior peso roqueiro, como “Rude Resiliência” e no punk rock “Três Passos”, que fecha o disco contabilizando a lenta caminhada do Brasil rumo ao progresso (“Dois passos para a frente e três para trás”). Nação Daltônica é um trabalho que questiona o papel do brasileiro nas mazelas do país. “Sua geração se acomodou ou o nível de exigência baixou?”, alfineta “Quem Pode Culpá-lo?”. Já “Sua História” tem como surpresa o toque da Orquestra Sinfônica da República Tcheca. Das dez músicas, oito são inteiramente inéditas. “Tudo Que Poderia Ser” já havia sido apresentada no DVD Rachando Concreto – Ao Vivo em Brasília (2011), cujo título alude ao EP O Concreto Já Rachou (1986), base sólida da discografia do quarteto. Já “Mais um Ano Você” vai ter sua melodia identificada por fs da banda inglesa de pós-punk The Comsat Angels: é versão de “Will You Stay Tonight?” (1983), música do quarto álbum dos britânicos. Em bom português, o Plebe Rude apresenta versos que provocam uma geração que vê tudo distorcido pela TV, refletindo as cores pálidas de uma nação cada vez mais daltônica, como indica o nome do disco.

1 - Retaliação
2 - Anos de Luta
3 - Mais um Ano Você
4 - Que Te Fez Você
5 - Sua Historia
6 - Rude Resiliência
7 - Quem Pode Culpá-lo
8 - Tudo o Que Poderia Ser
9 - (Go Ahead) Without Me
10 -Três Passos

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eloy Fritsch - Spiritual Energy [2014]

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Por Anderson Nascimento em Galeria Musical

Em seu novo disco solo, “Spiritual Energy”, Eloy Fritsch, conhecido músico integrante da banda de Rock progressivo Apocalipse, traz uma interessante trilha rumo ao que parece descrever a conquista ou descoberta de um novo mundo.

Repleto de climas ora transpirando alegria, como na faixa título e também em “Garden of Angels”, ora tensão, caso de “The Prophecy” e da ótima “The Battle of Giant Dragonflies”, o disco vai agradar àqueles que curtem discos instrumentais ricos em melodias, bem como fãs que já sabem o que esperar dos trabalhos solos de Eloy, sempre cheios de detalhes que vão sendo descobertos a cada nova ouvida.

As sonoridades trafegam na autoestrada do Rock progressivo, em determinados momentos mais oitentistas, como em “Warp Drive”, em outros mais setentistas, caso da intensa “The Duet”, além, é claro, das suas já reconhecidas imersões pela New Age.

Mais uma vez Eloy entrega um trabalho de grande qualidade, que nos faz catapultar a imaginação, nos levando para lugares nunca antes explorados em nossa mente.


1 - Spiritual Energy
2 - Sunlight Dance
3 - Warp Drive
4 - Garden of Angels
5 - The Cosmic Spiral
6 - The Prophecy
7 - Flying on the Wings of Eternity
8 - Journey to the Mystical Island Part I
9 - Journey to the Mystical Island Part II
10 - Angelic Touch
11 - Vita Brevis
12 - Love and Light
13 - Wizard of the Winds
14 - The Battle of Giant Dragonflies
15 - The Gates of Heaven
16 - Duet
17 - Evocation

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

David Ganc - Caldo-de-Cana [1999]

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Qualidade e sensibilidade são adjetivos nem sempre associados à música. Mas são fundamentais à boa música e poderiam muito bem definir este suculento CALDO DE CANA (Kuarup) que, no capricho, DAVID GANC nos oferece agora. Poderiam, mas talvez fossem insuficientes. Isso porque o CD - o segundo solo da respeitável e produtiva carreira do artista - merece muitos outros elogios, como elaborado, inspirado, feliz e brasileiro. Esse último, elevado a altíssima potência sonora. Pois se nossa música influenciou meio mundo, faz tempo que anda se embebedando em excesso com as influências acadêmicas americanas e afins. Nada contra; mas nossos ouvidos também gostam (e muito!) do sotaque brasileiro com entonação perfeita e fonte que brota da raiz.

A flauta é o grande destaque de Caldo de Cana. David deixou de lado o saxofone - base do Baladas Brasileiras, seu primeiro CD solo - e dedicou-se a ela, coisa rara em disco no mercado nacional. Um retorno às suas origens com o instrumento que toca desde os 7 anos.

E o melhor som/sotaque brasileiro está bem representado logo no primeiro gole deste Caldo de Cana, Fica Mal com Deus, de Geraldo Vandré, em arranjo do próprio clima agreste sofisticado. “É minha homenagem ao Quarteto Novo, grupo que acompanhava Vandré nos anos 60 e que era formado pelos grandes músicos Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte, Airto Moreira e Theo de Barros, para mim, o berço da música instrumental brasileira”, explica David Ganc. Ele é acompanhado por Leandro Braga (piano), Ronaldo Diamante (baixo), Márcio Bahia (bateria), Mingo Araújo (percussão) e pelas cordas do Quarteto Guerra Peixe, solando em flautas em Dó e em Sol.

Divertimento, de Nivaldo Ornelas, é a segunda faixa do CD. Piano (Leandro Braga), cello (Iura Ranevsky) e flauta se alternam em solos e acompanhamento da bela melodia, entremeada por diferentes climas. A faixa título, logo em seguida, foi escrita por David em 1978 e é dedicada a Zé da Flauta. “Naquela época eu circulava muito com o Zé, que havia chegado pouco antes do Recife para lançar o primeiro disco de Alceu Valença”, conta Ganc, que só fez a harmonia de Caldo de Cana em 1999. A alegria nordestina é representada pela percussão de Mingo Araújo e pela viola de João Lyra.

Memento/Catavento, faixa número 4, é o que David classifica como um “maracatu mântrico”. A música foi composta por Nando Carneiro, que também toca violão. “Meu filho Daniel, hoje com 10 anos, disse quando ouviu o tique flautístico que precede a música que as cores mudavam na sua frente. Será que algum adulto ainda consegue ver as cores mudarem sob o efeito do som?” pergunta David. O clima de sonho se mantém, com tempero mais romântico, em Noturno, outra bela composição de Nivaldo Ornelas dedicada ao amigo David Ganc em 1986. Flauta e piano (de Monique Aragão) soam puros, por vezes dobrando a melodia, em outras duelando ou fazendo contraponto um para o outro.

O ritmo muda radicalmente em Na Tradição do Frevo, parceria de David com Vittor Santos. É um tributo a Teca Calazans e aos muitos amigos que Ganc tem em Recife. A bateria de Márcio Bahia segura o pique. A sétima faixa, Impressão de Choro, foi composta pelo pianista Leandro Braga - que acompanha David ao piano - em homenagem ao cantor e compositor Guinga, com melodia elaborada e original bem ao estilo do homenageado.”É mesmo uma impressão de choro, com andamento lento, captando a emoção de uma gravação ao vivo”, diz David. Já Vó Argemira, música seguinte, tem clima mais intimista e foi composta por Nando Carneiro. “Nando e eu somos amigos desde a época de A Barca do Sol e ele sugeriu que não gravássemos o violão, criando uma sonoridade singular com a flauta e o baixo acústico cantante de Zeca Assumpção” conta David.

O samba Pro Marçal È a nona faixa do CD. “Tinha vontade de gravar este samba do baterista César Machado com Fernando Merlino há muitos anos. Me surpreendia o fato de nunca ter sido gravado por instrumento de sopro, como a melodia pede”, diz David. Destaque para as participaçõs de Artur Maia (baixo) e Vittor Santos (trombone) e para o solo de Leandro Braga, ao piano.

Caldo de Cana termina com Inútil Paisagem, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, com um arranjo elaborado de Vittor Santos. Para interpretá-lo, David Ganc se desdobra em nove canais de gravação (picollo, duas flautas em dó, duas flautas em sol, dois saxes altos e dois saxes tenores) e tem a companhia de Cristiano Alves (dois clarinetes e clarone).

Caldo de Cana tem produção musical do próprio David Ganc, foi gravado entre abril e junho de 1999 no Drum Studio e seu projeto gráfico é de Gringo Cardia.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

David Ganc - Baladas Brasilerias [1996]

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Pela primeira vez no país, um instrumentista de sopros grava um disco solo acompanhado de cordas. Partindo para carreira solo , após uma vida dedicada a dar cores em shows e gravações dos maiores nomes da música brasileira, o saxofonista e flautista David Ganc lança seu primeiro CD, Baladas Brasileiras, colocando em primeiro plano arranjos e orquestrações de conhecidas canções brasileiras. O vôo solo de David alcança a França, onde o CD sai pelo selo Buda Musique, que garante a distribuição mundial. No Brasil, a distribuição é da Leblon Records.

A idéia de um solista e cordas não é nova. Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Stan Getz, Coleman Hawkins e tantos outros fizeram discos antológicos nesta linha. Mas, na nossa música, David é o primeiro, e o faz com a experiência de quem está acostumado a realçar a essência da música.

A opção de David em Baladas Brasileiras foi gravar melodias conhecidas do público, de autores consagrados como Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim, Edu Lobo, Hermeto Paschoal, Peter Pan, além do próprio David .

Despidas das letras, e levadas pelos saxes e flautas envolventes de David, as canções ganham roupagem totalmente nova. Este é o maior feito do disco de Ganc. Sem mudar uma nota ou descaracterizar as músicas, elas soam com a beleza de sempre, e ao mesmo tempo, diferentes. Os arranjos de David, do pianista Leandro Braga, e do trombonista Vittor Santos são vitais no projeto. A formação jazzística dos três músicos garantiu espaço para as improvisações, que em momento algum “traem” a estrutura brasileirísima, original das composições.”Demorei um ano para escolher as dez músicas do CD”, lembra David, um perfeccionista chamado de “brilhante” pelo amigo Jaques Morelenbaum, seu companheiro dos tempos da Barca do Sol.

O CD Baladas Brasileiras enfatiza a qualidade melódica das canções, simples mas refinadas. O sax alto e tenor e as flautas dominam o tempo todo, ressaltando cada nota. As cordas marcam presença em 6 das 10 faixas. Ganc burilou a concepção e só depois chamou, um a um, os amigos de longa data para os arranjos e gravações. Estrada do Sol, de Tom Jobim, abre o disco, com sax tenor sublinhado pelas cordas em arranjo de Leandro Braga. Zanzibar, de Edu Lobo, ganha comprida introdução no arranjo de David, marcada pela percussão de Mingo Araujo e Marcelo Costa, e um belo improviso de cello de Morelenbaum. Três músicas revelam o arranjador Vittor Santos. Em Esses Moços, David expõe Lupicínio numa seção de 4 flautas seguidas de curto solo de Leandro Braga. As cordas passeiam pela abertura de Nunca, outra de Lupicínio, com David no sax alto. Chovendo na Roseira recebe andamento acelerado realçado pela bateria de Cesar Machado e pelo baixo acústico de Ronaldo Diamante, o tema desenvolvido em sax tenor e improvisos na flauta. Em sua 4ª gravação , a composição Flor, de Monique Aragão, é executada em duo de sax alto e piano de perfeito entendimento .

Balada/Paz é uma rara composição modal de Ganc, gravada com base, trompete-trompete e sax tenor, e intervenção da guitarra de Rodrigo Campello. Song for David foi composta especialmente pelo amigo israelense Adi Yeshaia, quando ambos ainda estavam em Boston. David adaptou-a para uma rara Flauta em Sol, numa viagem melódico-harmônica bem acompanhada por Tomás Improta e Morelenbaum. As cordas brilham novamente no requintado arranjo de Leandro Braga para Se Queres Saber, de Peter Pan. O toque do sax tenor parece trazer a bela e melancólica letra da canção de volta. E em São Jorge de Hermeto Paschoal , Ganc tira partido dos ritmos nordestinos , com o característico pandeiro de Marcos Suzano e a bateria única de Oscar Bolão, criando um festivo clima final.


Ficha técnica AQUI.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Jorge Ben - Ben é Samba Bom [1964]

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Por Tiago Ferreira em Na Mira do Groove

Terceiro disco de Jorge Ben, Ben é Samba Bom muitas vezes é descrito como uma continuação da ruptura estética do compositor que veio com o emblemático Samba Esquema Novo (1963) e foi seguido com Sacundin Ben Samba (1964).

Algumas bem conhecidas deste álbum realmente lembram a fase inicial: temos “Bicho do Mato”, com aquele violão irresistível que introduz uma festança que nos remete a uma “Rosa, Menina Rosa” mais acelerada. Jorge direciona sua letra a uma beleza de pouca percepção – o tal bicho do mato -, sugerindo que essa pequena beleza, por si só, já é motivo de celebração.

Outra canção nesta linha é “Samba Legal”, onde Jorge diz ‘não ter matado o desejo’ por não ter chegado a tempo de sambar. Isso é coisa de “Menina Bonita Não Chora”, em que Jorge também lamenta só de pensar que uma beleza pode ser corroída. No caso de “Samba Legal”, ele se martiriza por ter ‘bobeado’ por ter chegado no final do samba; “Menina Bonita…” é um conselho dado a uma garota que ele está afim (‘estou aqui para lhe consolar’). As duas composições estão conectadas justamente pela ideia do ‘desperdício do belo’. Na primeira, o fato de ter chegado atrasado no samba (que representa o belo); na segunda, o fato de a (bela) garota chorar. Singelezas.

A mudança oriunda em Ben é Samba Bom fica claro logo na primeira faixa: “Descalço no Parque”. A produção de Armando Pittigliani e os arranjos de metais do trombonista Nelsinho a transformam numa marcha dos anos 1940, dando um clima nostálgico a uma canção que fala de estar ‘descalço esperando’ – uma das muitas improbabilidades nas canções de Jorge, que fugiam de clichês de praias, horizontes, carnavais etc.

Esses arranjos, sedutores, se encaixam lindamente em “Onde Anda o Meu Amor”, com direito a sutis passagens de piano. Por incrível que pareça, elas casam bem com o crescendo de Jorge, quando diz: ‘Onde anda o meu amooooor?!?/Sambando/Sacun den den den/Sacun den den den den’.

“Vou de Samba Com Você” exibe um experimento ainda maior nos arranjos – que fazem uma espécie de ligação entre bossa nova, modinha e cool jazz. A composição pode ser entendida como um ‘lado B’ do primeiro álbum, já que fala de ir ao samba com uma garota, em uma roda animada. Nada muito diferente do ‘boom’ de Samba Esquema Novo. No entanto, essa nova forma de colocar os arranjos (ainda mais com a bateria mais ácida de Dom Um Romão) mostra que a música é um horizonte aberto para Jorge Ben, que naquele momento lutava para não ficar preso à estética do debut.

Conforme o disco avança, vemos que as singelezas das canções de Jorge Ben também se aplicam ao seu fator mudança. “Gabriela” retoma o ‘voxê’ sensual e iconoclasta de “Quero Esquecer Você”, mas ganha um acompanhamento mais encorpado: os instrumentos de sopro dão fervor a uma estética que poderia ser bossa nova, mas tem mais a ver com um samba transfigurado. Talvez samba-soul, estética que Ben iria explorar com mais propriedade alguns anos depois.

Mesmo à parte de movimentos como Bossa Nova e Jovem Guarda, Jorge Ben aos poucos foi condensando uma estética própria inimitável.

Ben é Samba Bom pode não ser entendido como um álbum de transição musical como O Bidú: Silêncio no Brooklyn (1967) e Jorge Ben (1969) – chegando ao ápice com A Tábua de Esmeralda (1974) -, mas marca uma mudança de arranjos e novas formas de contornar suas canções que lhe abririam a cabeça para novas possibilidades musicais.


A1 - Descalço No Parque
A2 - Onde Anda O Meu Amor
A3 - Bicho Do Mato
A4 - Vou De Samba Com Você
A5 - Samba Legal
A6 - Ôba Lá Lá

B1 - Gabriela
B2 - Zópe Zópe
B3 - Saída Do Porto
B4 - Dandara, Hei
B5 - Samba Menina
B6 - Guerreiro Do Rei

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sérgio Ferraz - A Sublime Ciência & o Soberano Segredo [2011]


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Por Sérgio Ferraz

O segundo cd solo do virtuoso violinista e compositor pernambucano traz de volta a ideia do disco conceitual, muito difundida no início dos anos 70. Esse trabalho nasceu sobre a inspiração do livro sagrado dos Hindus, o Bhagavad-Gîtâ. Em sua forma literal apresenta o Bhagavad-Gitâ um interessante diálogo entre Krishna e o guerreiro Arjuna. Arjuna ver-se na eminente e dura tarefa de travar uma batalha, uma batalha de significado esotérico que se trava no interior de cada Homem, entre o Bem E o Mal, levando-o ao caminho da superação.


1. O Caminho Iniciático
2. A Sublime Ciência e o Soberano Segredo
3. A Grande Batalha de Arjuna
4. O Conselho de Krishna
5. Lamento
6. Zumbi
7. Deus dos Ventos
8. Ventos Solares
9. A Sublime Ciê ncia e o Soberano Segredo, Parte II
10. Xaxado Eletroacustico

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Sérgio Ferraz - Flutuando Sobre As Ondas [2016]

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Trata-se de um trabalho conceitual no qual Sergio explora as sonoridades dos sintetizadores analógicos além do violino elétrico. O CD é totalmente produzido, gravado, composto e tocado por Sergio Ferraz. Flutuando Sobre As Ondas tem forte influencia dos compositores de música eletrônica alemã do Kraut Rock e do Rock Progressivo instrumental.


1. Missão Júpiter
2. Cartas de Saturno
3. Vishnu e os Nove Avatares - o Senhor das Águas
4. Matsya - o Guardião do Universo
5. A Ira dos Deuses
6. Na Imensidão Infinita
7. A Sétima Encarnação de Vishnu
8. Entre Deuses e Demônios
9. Nas Águas do Oceano Cósmico

domingo, 29 de janeiro de 2017

Fernando Vidal - Shulling [2013]

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Fernando Vidal é um dos músicos mais instigantes destes tristes felizes trópicos. Há um pensamento claro, uma visão do mundo, no que ele faz. Como os grandes artistas, conta de maneira íntegra a sua experiência.Como os maiores músicos, aprende na oficina infinita da música. Vai contando, com clareza, o que a vida dá e nega. Tomamos conhecimento, por exemplo, de que John Coltrane e Jimi Hendrix não se encontraram, mas, certamente, iriam se encontrar. E o fizeram, por que não? A guitarra de Fernando é uma boa prova disso. Tocando o blues com verdadeiro espírito, apoiado por seus fiéis parceiros André Vasconcelos no baixo e Marc William na bateria num trio perfeito, Vidal se lança, em outro momento, à investigação harmônica mais ousada. Nunca abandona, contudo, seu élan, sua vitalidade (inscrita já no sobrenome). Sua guitarra nasceu pra ser vigorosa, seja no rock, no jazz, no blues ou no funk. Ele domina estes estilos com uma grande verdade, uma total segurança, sempre sacudindo o quarteirão.

Um faixa a faixa bem breve:

Velhaco – Rock’n roll com pegada e inteligência na composição. Um solo sensacional do guitarrista, com passagens que muita gente vai querer aprender.

Funk Batalha – Segundo Vidal, uma peça que exige destreza na mão direita. Funk mesmo, direto do Rio de Janeiro. Sem solos, mas, de novo, uma construção toda especial. Polirritmia nos acentos da guitarra e bom humor. 

Bb Coltrane – O baixo cria a atmosfera inicial do blues, a bateria entra com classe, e em seguida a guitarra, num inesperado “turnaround” em B, C e D, pra cair no chorus básico: Bb7;Ab7;G7 e F7, todos com 13ª. E 9ª. Simples, sofisticado e bonito. Na passagem para o jazz mais rápido, cromatismos e ótimas frases . Quase no fim, uma explosão de acordes ascendendo até o clímax: uma paisagem sônica de efeitos, harmônicos, alavanca, etc. E fechando essa suíte guitarrística, um rock apoiado num riff curto e pesado. A faixa recria magistralmente as influências de Fernando Vidal.

Blues Rodrigo de Freitas – Blues nada óbvio. “Você sabe, eu adoro um bluesinho”( Miles). Uma ponte diferente, antes e depois de Fernando nos brindar com mais um de seus grandes solos.

Shulling - Uma síntese de tudo. Humor, clareza, concepção. Um solo perfeito, primeiro em G, depois em F, um som de arrepiar. Volta o inusitado chorus D,G,Bb,B, para terminar na subida cromática final.

Matemático Freezer – Leveza e malícia. Atmosfera lírica, como numa composição de Charles Mingus.

C.T#01 - Rock and roll + Fusion + um solo definitivamente incomum. Cumplicidade importante de ...(baixo) e ....(bateria) na central de aquecimento. 

Funk ao Alvinegro - Funk com sopros e a guitarra fazendo o chacundum com malícia, bem pra trás. Depois um pequeno trecho em 6/8 que desemboca num free, com intervenções de trompete e sax tenor. O groove é retomado com mais vigor, para a entrada de um breve e expressivo solo de Fernando.

Jimi Shuffler - Pequeno tema sobre uma levada “nova orleans”, de onde vem, afinal, o funk e tudo mais. Um solo genial do guitarrista, que vale este disco e o próximo. Música cheia de imaginação, como a do próprio Hendrix.

Kamasutra - Groove bem suingado, meio caribe, meio oriente médio, recheado de trechos harmônicos especiais. Destaque para o solo de --- no piano elétrico. A guitarra se encarrega do final, repetindo uma cadência harmônica inusitada.

Kardekiando - Jazz-rock de muita pegada. Fernando Vidal toca como se sua vida, o trânsito, o aluguel, o Botafogo, a distribuição de renda nacional, a saúde do amigo, dependessem de sua música.

Zagamiando - O riff em Sol menor abre caminho para um solo de guitarra cheio de paixão e fúria. Um pequeno especial de três acordes para o solo de baixo e a volta no riff com vigor, para fechar.

Vinheta (Scott) – Saudação ao guitarrista Scott Henderson. Uma cadência de acordes contemplativos em Dó maior/Lá menor, fechando com serenidade este trabalho extraordinário de Fernando Vidal.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Fernando Pacheco - Himalaia [1986]

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Por Mairon Machado em Consultoria do Rock

O grupo Recordando o Vale das Maçãs lançou apenas um álbum, o cobiçado e essencial As Crianças da Nova Floresta, em 1978. Quatro anos depois, acabou separando-se pouco depois de começar as gravações daquele que seria o seu segundo disco. Um dos principais líderes do grupo - o guitarrista, vocalista e compositor Fernando Pacheco - seguiu peregrinando pela música. Em 1986, misturou talento e genialidade naquele que é em um dos mais belos álbuns da década. 

Trata-se de Himalaia. Esse diamante começou a ser lapidado no final dos anos setenta. Ali, o compositor e músico Fernando Pacheco, junto com os demais seis integrantes do grupo Recordando o Vale da Maçãs, lançava o magnífico As Crianças da Nova Floresta. O progressivo tradicional ganhava espaço entre a disco music e o punk.

Fernando sempre se caracterizou por ser um talentoso músico. Tendo diversos professores em sua vida, multi-instrumentista, acompanhou bandas de baile, sendo líder da conhecida banda santista Tropical Jungle. Contou com a ajuda de diferentes pessoas para consolidar sua marca entre os grandes no cenário brasileiro. Foi no Recordando o Vale das Maçãs que começou a ganhar destaque. Ao mesmo tempo em que se tornou professor no Grupo AMA e no Conservatório Musical Heitor Villa-Lobos, ambos em Sampa, ficou reconhecido como o Robert Fripp brasileiro. Graças à sua genialidade nas composições.

Fernando Pacheco, liderando o Recordando o Vale das Maçãs
Mesmo com o fim precoce da banda em 1982, não parou no tempo (como por exemplo, nosso querido guitarrista Mario Neto). Antes, a RVM havia lançado o compacto Sorriso de Verão/Flores na Estrada, que ficou no primeiro lugar das paradas brasileiras durante seis meses. Fernando ainda apresentou-se com o projeto Pacheco e Carioca, ao lado de Carioca Freitas, antes de mudar-se para o sul de Minas Gerais onde assumiu a função de professor titular do Conservatório Estadual de Música J.K.O. (Pouso Alegre). Em 1985, lançou o magnífico álbum Instrumental junto com Fernando Pereira com o nome de Duo Fernando's. Os dois já vinham ensaiando e fazendo shows desde 1983. 

A pergunta que fica é: seria Fernando Pacheco capaz de produzir uma Maravilha Prog, assim como fez quando liderava o Recordando o Vale das Maçãs? A resposta é sim e não, já que Himalaia apresenta dois lados distintos.

O lado A, "The Past", foi gravado com o Recordando o Vale das Maçãs na cidade de Curitiba, durante o ano de 1982, e traz indícios do que seria o segundo álbum do grupo. O lado B, "The Present", apresenta Pacheco tocando todos os instrumentos. Ambos os lados demonstram uma aula de sentimentalismo e técnica com o músico viajando por onde mais gostava: os temas instrumentais. Apesar de composto por apenas cinco faixas, as mesmas são certeiras e grudam no cérebro de qualquer apreciador de boa música. 

Mas é em "The Past" que está a nossa maravilhosa canção. A abertura do LP é feita com "Sonho", tendo um arranjo similar ao que foi gravado em As Crianças da Nova Floresta. Depois, entramos nos maravilhosos treze minutos da faixa-título.


Pacheco e o renomado violonista e compositor Leo Brower

Ela começa com o embalo lento e cadenciado de "Sonho", quebrado por uma emotiva introdução recheada com violão, flautas e pássaros. No melhor estilo Recordando o Vale das Maçãs! Apresenta um lindo solo de flauta enquanto Pacheco dedilha seu violão. A marcação aumenta seu ritmo, trazendo um lindo solo de guitarra e de teclados. 

Após começar lenta e suave, vai aumentando a cadência e atinge seu pique no rápido e complicado solo de violino. O clima muda, com flauta e teclados duelando sobre dedilhados de violões e baixo. Parece uma guerra de cantos entre pássaros na floresta. Inicia uma sessão mais viajante com solos de flauta, violino e guitarra, sempre acompanhados pela cadência RVMiana. Por fim, a bela introdução é retomada com o violão solando mais agressivo enquantos teclados e violinos deliram. A canção termina em um climão de floresta com a levada principal executada anteriormente sendo acompanhada pelos viajantes solos de teclado, flauta, guitarra e, principalmente, pelo violão dedilhado que acompanha toda essa faixa. Encerra o lado "The Past" com um tema de flauta daqueles tão grudentos como a introdução. 

O lado "The Present" possui outra canção digna de ser chamada de maravilha, a complícadissima "Progressivo L-2 Sul". Aqui, Fernando mostra todo o seu trabalho e aprendizado no violão clássico. Complementam o álbum a mini-suíte "Ciclo da Vida" - outra nos velhos moldes de As Crianças da Nova Floresta - e "Civilização", um pequeno dedilhado de violão com um belíssimo solo de flauta. 

Himalaia não fez muito sucesso no Brasil, mas acabou estourando no exterior (como já havia acontecido com a RVM). Fernando Pacheco ainda gravaria o CD As Crianças da Nova Floresta II (1993) e o trabalho 1977-82 (1994), ambos ao lado do Recordando o Vale das Maçãs. Em termos de carreira solo, lançou em 1998 Himalaia II (realizando concertos e trabalhos de divulgação na Espanha e Portugal) e em 2005, com o Duo Fernando's, lançou Homenagem a Johnny Alf. No ano seguinte, lançou o belo trabalho Spirals of Time ao lado de Giuliano Tiburzio (baixo), Antonio Bortoloto (bateria), Leonardo Zambianco (voz), Nélio Porto (teclados) e Eduardo Floriano (vocais).

Fernando Pacheco, o Robert Fripp brasileiro
Em termos docentes, Pacheco assumiu o cargo de professor de violão e guitarra no curso de música da Universidade Vale do Rio Verde (UninCor) em Três Corações (MG). Nessa mesma universidade, assumiu o cargo de coordenador e professor do curso de Pós-Graduação em Música. Leciona até os dias atuais, ao mesmo tempo em que apresenta-se em concertos com o Recordando o Vale das Maçãs e em trabalhos de jazz instrumental brasileiro com o Duo Fernando's e Fernando Pacheco Trio. Assim, mostra todo o seu talento e inteligência para o público que sabe valorizar um trabalho de primeira qualidade.


A1 - Sonho
A2 Himalaia

B1 Progressivo L-2 Sul
B2 Ciclo Da Vida

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Toninho Horta [1980]

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Por Renato em Musica e Literatura

Este é um disco muito especial, pois além da guitarra de Toninho Horta, com seus toques oitavados e toda a sua pegada jazzística, há a presença do Pat Metheny em duas músicas: "Prato feito" e "Manuel, o audaz". Mas todo o disco é excelente, e destacamos o solo de Toninho em "Era só começo nosso fim", de Yuri Popov e Murilo Antunes. Nesse ano de 1980, aconteceu o Monterey Jazz Festival, no Rio de Janeiro, e dentre as presenças internacionais (John Mclaughlin, Weather Report, Stanley Clarke e mais) estava o Pat Metheny Group, na época lançando o seu "American Garage". Pat era um desconhecido da maioria do público brasileiro, mas sua guitarra já havia chamado a atenção de muitos. A guitarrista e compositora Célia Vaz era sua amiga e fora aluna em Barkcley. Como estava em estúdio, Pat deu uma passada por lá e deu uma "canja", gravou em seu disco. Neste mesmo período Pat entrou no estúdio com outro amigo, Toninho Horta, e gravou estas duas jóias presentes no álbum. Em entrevista na 92,5, antiga Globo FM, Toninho Horta comentou que após a apresentação de Pat no Brasil, já nos Estados Unidos, os dois guitarristas passaram uma temporada nas montanhas, isolados, acompanhados do Naná Vasconcelos. Os três e somente a música. O álbum "Offramp", de Pat, reflete um pouco desse encontro, pois é nele que são exploradas as linhas melódicas e ritmos "abrasileirados" e dá um passo crucial na carreira da mais influente guitarra de jazz dos últimos 25 anos. Aqui o que vale é ouvir os dois juntos e se deliciar.

1 - Aqui, oh! 
(Toninho Horta - Fernando Brant)
2- Saguin 
(Toninho Horta)
3 - Vôo dos urubus 
(Toninho Horta)
4 - Caso antigo
(Toninho Horta - Ronaldo Bastos - Fernando Brant)
5 - Prato feito 
(Toninho Horta - Ronaldo Bastos)
6 - Era só começo nosso fim
(Iuri Popoff - Murilo Antunes)
7 - Minha casa 
(Toninho Horta)
8 - Bons amigos 
(Toninho Horta - Ronaldo Bastos)
9 - Vento 
(Toninho Horta)
10 - Manuel, o audaz 
(Toninho Horta - Fernando Brant)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Alex Buck - Luz da Lua [2006]

Mediafire 202kbps


Por Clube do Jazz

Segundo o próprio Alex, "nada mais justo, que meu primeiro disco tenha o nome de minha primeira música, composta à luz da lua". Produzido em 2004 e lançado em 2006 pela Maritaca, Luz da Lua reafirma o talento de um dos melhores instrumentistas da atual safra instrumental (bateria e piano). O cd é totalmente autoral, composto por doze músicas, com destaques para "Sambeti", " Luz da Lua", "Novos Amigos" e "Pai de Som". Os músicos presentes nas gravações formam um time de primeiro mundo: Neylor Proveta, Filó Machado, Sandro Haick, Nenê, Vinícis Dorin e Walmir Gil, entre tantos outros.


1 - Toninho Pinheiro
2 - Luz da lua
3 - Espírito Santo
4 - Que não seja a última vez
5 - Alô Brasil
6 - Três gerações
7 - Amarelinha
8 - Novos amigos
9 - Pai de som
10 - Que pena
11 - Sambeti
12 - Que não seja a última vez