terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lumina - Project [2008]

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Por Ricardo Seelig em Collector´s Room

O Lumina é um trio de free jazz / fusion formado por instrumentistas experientes e acima de qualquer suspeita. Fazem parte do grupo o guitarrista Johny Murata (que também atua como compositor, arranjador, engenheiro de som e produtor, além de ser um músico disputadíssimo no cenário da world music), o baixista Sizão Machado (que já tocou com ícones como Chet Baker, Chico Buarque, Elis Regina, Airto Moreira e inúmeros outros) e o baterista Fabio Fernandes (também na Banda do Sol, e com passagens pelos conjuntos de Rogério Duprat e Hermeto Paschoal). Como se vê, todos com currículos extensos e muita estrada nas costas.

A banda surgiu de uma jam session entre Murata e Fernandes, que, entusiasmados com o resultado, decidiram entrar em estúdio para registrar suas composições. Para isso convocaram Sizão Machado, e o resultado é esse "Project", primeiro álbum do Lumina.

Totalmente instrumental, o trabalho transita com autentidade e conhecimento de causa pelos caminhos sinuosos do fusion, em construções harmônicas complexas, melodias inusitadas e alto apuro técnico nas performances. Johny Murata exala sensibilidade em notas que flutuam sobre as bases intricadas criadas por Sizão Machado e Fabio Fernandes.

A melodia de "Crystal Tower" evoluiu sobre escalas de acordes que hipnotizam o ouvinte. "Sahara" abre com um solo de bateria de Fernandes que me trouxe à mente o solo fenomenal de Elvin Jones em "Pursuance", faixa do clássico "A Love Supreme", lançado por John Coltrane em fevereiro de 1965. Em "Sahara" cada um dos três instrumentos parece, em um primeiro momento, seguir caminhos independentes, que na verdade se revelam entrelaçados de maneira univitelina, alcançando um resultado final não menos que soberbo.

A densa "Thar" nos transporta para outro mundo, enquanto "Lonely" cativa instantaneamente, além de conter a melhor performence de Sizão em todo o disco. A abertura apocalíptica de "Karakum" evolui para um exercício de instrospecção, com os músicos entregando notas que parecem se abraçar e girar pelo ar. O álbum se encerra com a demonstração de técnica explícita de "Atacama" e com os climas contrastantes de "Genesis".

"Project" traz oito faixas exemplares, em um resultado final que paira muito acima daquilo que o mercado brasileiro está acostumado a receber. Uma pequena observação deve ser feita em relação à produção do disco, que, se está longe de deixar a desejar, poderia, sem dúvida, explorar melhor os timbres dos instrumentos de Murata, Machado e Fernandes. Merece menção também a bela arte da capa, desenvolvida por Robson Piccin, que transmite de forma certeira o conceito do grupo.

Se você curte jazz e, principalmente, fusion, esta estreia do Lumina irá lhe agradar em cheio.


1. Crystal Tower
2. Siberia
3. Sahara
4. Thar
5. Lonely
6. Karakum
7. Atacama
8. Genesis 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Jorge Ben - Samba Esquema Novo [1963]


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Para a maioria dos pesquisadores da música popular brasileira o período mais importante de nossa história concentra-se entre os anos de 1930 a 1945. É o que chamam de época de ouro. Sem dúvida que esse foi um dos momentos mais ricos que tivemos, pois naquele espaço de 15 anos vimos florescer nomes como Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Carmen Miranda, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Ataulfo Alves, Custódio Mesquita e muitos outros grandes artistas que marcaram o cancioneiro popular do Brasil. Contudo, um fato importante deve ser citado com o mesmo destaque, qual seja a grande coincidência que viria também 15 anos depois em 1960, quando o Brasil já demonstrava a maturidade de uma nova geração de músicos que despontaram nos meados dos anos cinqüenta e que se juntariam a outros que fariam da década de sessenta mais uma fase de ouro, fazendo-nos concluir que não tivemos um hiato muito grande de carência musical, apenas uma fase de adaptação durante os dez primeiros anos do pós-guerra e depois uma avalanche de novos talentos, que renovariam a música popular brasileira, e a fariam universal, desta vez de forma definitiva. 

Após o advento da Bossa Nova o mercado e as condições históricas visualizavam um campo extremamente fértil para o surgimento de novos artistas e novas tendências musicais. Nesse contexto é que surge a figura de Jorge Ben, cantor e compositor carioca que iria trazer para o público brasileiro um novo som, um samba estilizado, diferente das concepções bossanovistas, com uma negritude e um balanço jamais vistos em nossa música popular, onde sua batida de violão, aliada a uma linha melódica totalmente renovada e moderna mais a ingenuidade de suas letras revelaram uma nova maneira de interpretar o samba, que ele chamou de esquema novo, título de seu primeiro LP lançado em 1963. 

O destaque maior do disco estava nas canções "Mas que nada", e "Por causa de você, menina" anteriormente gravadas em um disco 78 rotações com Jorge Ben acompanhado do conjunto Copa 5 formado por, Meireles no sax, Pedro Paulo no trompete, Toninho no piano, Do Um Romão na Bateria e Manuel Gusmão no baixo, gravações estas que foram reaproveitadas no LP. 

O sucesso foi imediato apesar de alguns críticos acharem as letras infantis, as harmonias pobres e o violão tocado errado e o que é mais curioso, eles pensavam que Jorge Ben seria um fenômeno passageiro, contrariando, pois os "entendidos" no assunto, o disco alcançou em apenas dois meses a cifra recorde para a época de 100 mil cópias vendidas transformando Jorge Ben da noite para o dia no maior fenômeno da música popular brasileira e não em mais um modismo efêmero, fato este que veio a se confirmar com seus discos posteriores, todos eles com músicas de excelente qualidade e grande apelo popular. 

É importante citar algumas partes do comentário de Armando Pittigliani na contra-capa do disco: "O samba de Jorge Ben, da batida de seu violão à linha melódica e letra de suas composições revela um novo caminho nos horizontes de nossa música popular. É o esquema novo do samba. Reparem que a harmonia negróide transborda em todos os momentos de sua música (...) Seu inato talento musical proporcionou-lhe descobrir uma nova puxada para o nosso samba, fazendo do violão um instrumento, sobretudo, de ritmo. Na sua batida tanto se destaca o baixo como o desenho rítmico de sua pontuação na maneira toda sua de tocar. Um exemplo disso é o fato de várias faixas deste disco não contarem com o contra-baixo na orquestração. Somente o violão de Jorge já da a necessária marcação dispensando, portanto, aquele instrumento de ritmo. O balanço do acompanhamento repousa quase sempre no seu violão". 

Outra música incluída no disco e que se tornaria em grande sucesso foi "Chove chuva", um dos clássicos de seu repertório. Em "Por causa de voce, menina", ele inova na letra fazendo menção a Obá (deusa nagô do amor) e aos santos Sacundin e Sacundém e ainda aos guerreiros Dombim e Dombém, além de pronunciar a palavra você como "voxê", dando um toque especial e único à interpretação. Misture, portanto, essas expressões em nagô, inclua umas inflexões rítmicas influenciadas pelo som "mbira" rodesiano mais o balanço rítmico de seu violão que temos então a receita perfeita de realmente um novo som, popular, brasileiro e universal. 

Mas a negritude estilizada do som de Jorge Ben e a influencia dos elementos afro em suas canções vem por ele mesmo traduzida ao afirmar em "Mas que nada", que "este samba que é misto de maracatu, é samba de preto velho, samba de preto tu". O LP Samba Esquema Novo contava também com as músicas, "Tim dom dom", de João Mello, única música não assinada por Jorge Ben, "Balança pema", "Rosa, menina, rosa", "Quero esquecer voce", "Ualá ualalá", "Vem morena", "É só sambar", "A tamba" e "Menina bonita não chora". 

Quando hoje em dia fala-se em renovação na música popular brasileira, mistura de ritmos e novas experiências sonoras, que invariavelmente caem na mediocridade ou na mera preocupação de consumo, verificamos ao ouvir este disco de Jorge Ben, o quanto ainda precisamos aprender a sermos talentosos e revolucionários sem a necessidade de simplesmente ganhar dinheiro a qualquer custo, pois o talento é um dom natural que nem todos possuem e que não se vende barato. Viva seu Jorge Ben ou Benjor, voce que já esta com todos os méritos na galeria dos grandes de nossa canção popular, continue com seu balanço, pois ele já é eterno. Sacundim, sacundem! 


Músicas: 
A1 - Mas que nada
A2 - Tim dom dom 
A3 - Balança pema 
A4 - Vem morena, vem 
A5 - Chove chuva 
A6 - É só sambar 

B1 - Rosa, menina rosa
B2 - Quero esquecer voce 
B3 - Ualá ualalá 
B4 - A tamba 
B5 - Menina bonita não chora 
B6 - Por causa de voce, menina 


Ficha Técnica AQUI

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Altas Doses - É Tudo Tão Blues [2015]


A banda maranhense Altas Doses é um projeto que já vinha sendo elaborado há um tempo pelos amigos Jacob Viana (guitarra) e Wytanyel (bateria), que já tocavam juntos em outra banda. Depois de um tempo resolveram finalmente tirar a banda do papel, então chamaram Gil (gaita) que já era amigo deles e Wesley Rain (vocal e baixo) para completar o projeto. Todos com o intuito de tocar o blues, pois sentiam essa falta na noite ludovicense.

Formada em agosto de 2014, a Altas Doses tem esse nome em referência à boemia, à vida desregrada na noite, que tem a ver com a vibe da banda. As canções da banda contam o dia a dia de quem vive na noite, de amores trágicos à bebidas. A Altas Doses tem como objetivo levar o blues feito no nordeste para todo o território nacional e quem sabe até internacional.


1 - É tudo tão blues
2 - Blue Sky
3 - Noite no bar
4 - Sem bilhetinho nem tchau/Sweet home Chicago
5 - BVB
6 -Undead man

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mais Valia [2015]

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Após dois anos de experimentações fazendo música instrumental autoral por festivais e casas do interior paulista, a Mais Valia finaliza seu primeiro álbum e se prepara para o início de sua turnê de lançamento.

O trio formado por Ricardo Cezario (guitarra), Alexandre Palácio (baixo) e Vitor Martins (bateria) produziu de forma independente, em parceria com Josiel Rusmont, seu primeiro álbum. As sete faixas são influenciadas por elementos do post-rock, agregando pitadas ácidas de stoner e space rock, transitando por diversos momentos climáticos e ambientações.

O álbum é retrato da paisagem sonora ligada à sociedade moderna, seus conflitos, abusos, aflições e necessidades. Mais Valia (será) foi lançado em CD, em edição especial Fita K7.


Banda:
Ricardo Cezario – Guitarra
Alexandre Palácio – Baixo
Vitor Martins – Bateria

Músicas:
01. Belzebu
02. Nova
03. Mumbai
04. Bio
05. Crimeia
06. Guarapuã
07. Metropolis


domingo, 7 de agosto de 2016

Camisa de Vênus - Dançando na Lua [2016]

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Por Mauro Ferreira em G1

Camisa de Vênus volta corrosivo e revigorado no CD 'Dançando na lua'

"Se a dor é constante / Mas o trajeto é comprido / Não reclame da vida / Antes de tê-la vivido", adverte Marcelo Nova em versos do rock Sibilando como cascavel, uma das dez músicas de Dançando na lua, primeiro álbum de músicas inéditas do grupo baiano Camisa de Vênus em 20 anos.

O trajeto da banda é longo e, após sair em turnê nacional com show que percorreu o Brasil em 2015 para celebrar os 35 anos da formação do grupo (em 1980, na Salvador pré-axé), o Camisa de Vênus volta ao mercado fonográfico com repertório novo duas décadas após o álbum de estúdio Quem é você? (1996).

Lançado via Radar Records neste mês de julho, Dançando na lua é álbum que tem pegada e sonoridade roqueira que destacam as guitarras proeminentes de Drake Nova (guitarra solo) e Leandro Dalle (guitarra base). Filho de Marcelo Nova, Drake produziu o disco com o pai. Por isso mesmo, não espere ouvir em Dançando na lua o Camisa de Vênus da década de 1980. Até porque, além do vocalista Marcelo Nova, somente o baixista Robério Santana, integrou a formação original do grupo, fazendo parte do atual quinteto completado com o toque seco (e bem marcado) da bateria de Célio Glouster.

Contudo, o som de músicas como A urna da obsessão e Como no inferno de Dante (em cuja letra Marcelo se queixa do "cheiro insuportável dos domingos") é fiel aos cânones básicos do rock. Sem inventar moda, mas tampouco sem soar retrô, o Camisa de Vênus dança na lua conforme a música ditada pela cartilha do rock.

Marca forte do Camisa, o tom corrosivo das letras do grupo reverbera no disco em músicas como O estrondo do silêncio e, sobretudo, A raça mansa, grande petardo do repertório quase inteiramente autoral. A exceção é Só morto (Burning night), parceria de Jards Macalé com Duda Machado lançada por Macalé em compacto de 1969. O Camisa de Vênus dá peso e se ajusta ao tema tenso de Macalé, de cujo cancioneiro o grupo já gravara Gothan City (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1969) no álbum Batalhão de estranhos (1984).

Por mais que o título Dançando na lua sugira leveza, o álbum é pautado pelas sombras que enevoam o rock do Camisa de Vênus. A hard balada Manhã manchada de medo exemplifica o tom sombrio embutido em repertório que alfineta Deus e a raça humana. O fato é que o Camisa de Vênus volta revigorado, adulto, sem os ímpetos juvenis de sucessos da fase inicial como Simca Chambord (Marcelo Nova, Gustavo Mullen, Karl Hummel e Marcelo Cordeiro), hit radiofônico do álbum Correndo o risco (1986), lançado há 30 anos.

Entre idas, vindas e brigas (algumas resolvidas na Justiça), o trajeto do grupo é dos mais compridos e coerentes do rock nacional. Só que o Camisa de Vênus ainda corre riscos ao lançar autoral álbum de músicas inéditas que dá novo fôlego ao grupo na longa caminhada.


1. Dançando na Lua
2. A Raça Mansa
3. Chamada a Cobrar
4. Vento Insensato
5. Manhã Manchada de Medo
6. Sibilando Como Cascavel
7. A Urna da Obsessão
8. Só Morto/Burning Night
9. O Estrondo do Silêncio
10. Como no Inferno de Dante

domingo, 24 de julho de 2016

Lestics - les tics [2007]

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Por Lestics em sua página no facebook

'les tics' é o nosso segundo álbum, gravado em 2007 no quartinho dos fundos do apartamento do Umberto Serpieri. Lo-fi até o talo: um mic, um computador velho, dois caras, um punhado de canções… Agora o disco está nos serviços de streaming (Spotify, Deezer etc. etc.), e se você nunca ouviu 'Gênio', 'Luz do outono', 'Caos' ou algumas das outras músicas do 'les tics', beeeem, aí está uma boa oportunidade = )

domingo, 17 de julho de 2016

Bianca [1980]

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Por Josué Ribeiro

Pesquisador musical e colecionador de obras raras dos anos 70 e 80. Gosto de música bem feita e principalmente da poesia na letra. Aprecio os estilos Blues, Jazz e tudo que for popular. Sou contra qualquer tipo de preconceito com a música, mas defendo que a música deve ter no mínimo, bom gosto. Que não ofenda as pessoas e que possa ser ouvida na presença de uma criança. Música é cultura, a música pode ser um meio para contar a história de um país.

Com sua guitarra elétrica, ela foi como roqueira, o retrato da geração que vibrava na transição dos anos 70 para os anos 80.

Para quem tem mais de 35 anos, ela foi a cantora adolescente que se fez passar por uma rebelde da sua geração. Para quem tem menos, entenda como história da música popular do Brasil.

Ela despontou para o sucesso no final de 1979, com um compacto simples que trazia as músicas “Os Tempos Mudaram” (o que me importa) e “Vou Pra Casa Rever Os Meus Pais”, versão de A Little More Love.

Na contramão do sistema das gravadoras, que apostavam em cantores adolescentes sim, mas em trio, quarteto e pacatos. Tinha A Patotinha, As Melindrosas e a inglesinha romântica Nikka Costa, mas com Bianca foi diferente. Ela foi a Pitty daquele tempo.

Em 1980, com seu primeiro LP, conquista elogios da crítica e popularidade, principalmente dos jovens. Cantava em programas como o de Chacrinha, Sílvio Santos, Bolinha e Globo de Ouro.
Fazia fotonovela nas revistas, almoçava com os artistas no programa do Aérton Perlingeiro e cantava muito, no rádio.

A gravadora RGE foi responsável pela produção do disco e da carreira de Bianca, que no seu primeiro LP, já contou com um repertório apropriado para a sua idade de 16 anos.

Puxado pelas músicas conhecidas do compacto, o LP tem ainda, além das versões (muito comum na época), as composições Tempos Difíceis, um blues de Gilliard, pode acreditar (jovem como ela na época, poucos anos a mais do que ela) e Comentários A Respeito de John,
do cearense Belchior.

A música Minha Amiga, ficou na memória das jovens mais românticas. O mais puro retrato da geração perdida, para não dizer alienada. O disco tem produção artística de Hélio Eduardo Costa Manso, produtor de quase todos os cantores da época, que pertenciam a RGE. Na ficha técnica do disco, não consta o nome de Bianca como guitarrista, o que leva a crer que ela não era de fato, uma guitarrista, fazia pose apenas. Mas isso não importante. Bianca entra no cenário musical fazendo diferença num tempo em que Gretchen cantava (com sucesso) de costas e que a geração do rock nacional ainda não tinha mostrado sua cara. Falava de rebeldia, crise existencial e Beatles, mas nada autoral. Solta a voz afinada no disco e nos tempos antigos, tinha ótima presença de palco.

Infelizmente foi atropelada pela Blitz do Evandro, que tinha mais a ver com a geração daqueles primeiros anos da década de 80. Se ela gravou outro LP, não teve grande repercussão, pois ninguém sabe ninguém viu, nem o disco, nem ela. Porém o disco é recomendado para quem quer entender a confusão musical que foi o final dos anos 70, que depois de ser varrido pela discoteca, ritmo que dissipou o bolerão (que ainda persistia agonizando) e fez até os mais tradicionais (Luiz Gonzaga, Ângela Maria, Jair Rodrigues etc…) entrar na onda. Se você encontrar o disco de Bianca dando sopa por aí _o que é muito difícil, pois quem tem não se desfaz_ não hesite em comprá-lo.

É muito bom de ouvir. Bianca é mineira, de Ituiutaba. Seu verdadeiro nome é Cleide (que não podia ser nome de roqueira). Foi crooner de banda na sua cidade e descoberto pelo cantor e compositor Cléo Galante, que depois de vê-la cantar e tocar guitarra, levou a mesma para São Paulo e apresentou a RGE, quando ela tinha apenas 14 anos.



A1 - Sou Livre (Agora Chega)
A2 - Comentário À Respeito De John
A3 - Minha Maneira (Não Suporto Mais)
A4 - Somos Amigos
A5 - Oh Susie
A6 - Sempre Contente

B1 - Minha Amiga
B2 - Não Tenha Medo
B3 - Tempos Difíceis
B4 - Igual A Vocês
B5 - Lembrando Os Rapazes De Liverpool
B6 - Vou Prá Casa Rever Os Meus Pais
B7 - Os Tempos Mudaram

sábado, 16 de julho de 2016

Menino do Rio [1981]

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A1 –  De Repente, Califórnia interpretado por Ricardo Graça Mello
(Lulu Dos Santos, Nelson Motta )
A2 –  We Got The Beat interpretado por Go Go's
(C. Caffey )
A3 – Tesouros Da Juventude interpretado Lulu Santos
(Lulu Dos Santos, Nelson Motta)
A4 – Corpos De Verão interpretado Bebel
(Guilherme Arantes, Nelson Motta)
A5 – Perdidos Na Selva interpretado Gang 90 & Absurdettes
(Julio Barroso)

B1 – Garota Dourada interpretado Radio Taxi
(Lee Marcucci, Nelson Motta, Wander Taffo)
B2 – Sob O Azul Do Mar interpretado Ricardo Graça Mello
(Nelson Motta, Wander Taffo)
B3 – Our Lips Are Sealed interpretado Go Go's
(J. Wiedlin*, T. Hall)
B4 – Turbilhão De Emoções interpretado Guto Graça Mello
(Guto Graça Mell)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Silvia Tape e Edgard Scandurra - est [2015]



Por Carlos Eduardo Lima em Monkeybuzz

Que disco simpático, pessoal. Oriundo do encontro entre Edgard Scandurra, mais conhecido como o guitarrista da banda paulistana Ira!, de tantas glórias, tradições e projetos paralelos ao longo de três décadas, e a cantora/baixista/guitarrista Silvia Tape, atual integrante do grupo Mercenárias, dona de carreira solo elegante, que namora de longe o entroncamento entre Psicodelia e Pós-Punk, EST é uma inesperada surpresa neste fim de 2015, justo quando ninguém esperava algum lançamento que valesse nossa atenção. Há tempos que Edgard mostra mais talento e criatividade fora de sua banda de origem, sempre com mente aberta e disposição para ouvir/fazer novidades. Seu apreço pela música Eletrônica, por exemplo, rendeu bons álbuns nos anos 00 sob o nome "Benzina", além de colaborações e crocâncias sonoras diversas. As canções e o conceito deste novo álbum surgiram há alguns anos, passando, necessariamente, pela ideia de gravar tudo em casa, em esquema Lo-fi. A chegada de Silvia mudou tudo. Pra melhor.

Dona de boa voz e capaz de escrever letras bonitas, a cantora fez com que o conceito original fosse adaptado para sua chegada. O que era rascunho e desapego evoluiu para um moderno trabalho de Rock, no sentido mais amplo que o termo pode comportar em 2015. Mesmo assim, EST é, basicamente, Scandurra em todos os instrumentos, a voz de Silvia e a participação de algumas pessoas, entre elas, Curumim, emprestando seu talento baterístico a algumas canções, especialmente em Asas Irreais, melhor do álbum, cheia de timbres amplos de guitarra e tambores nervosos por todos os lados, em função da doçura da voz de Tape, inesperada, porém conveniente em meio ao painel sonoro que se ergue. Mas nem tudo é doçura e céu azul por aqui.

A abertura com A Sua Intuição é noturna, perplexa em calma, com sonoridade que emula algo dos anos 1990, eletrônico, sussurrado, que dá lugar ao campo aberto e livre que Asas Irreais, já mencionado acima. A canção seguinte, Num Instante Qualquer é totalmente Rock, cantada por Scandurra e levada adiante por bateria e guitarras também tocadas por ele e presença elegante de Tape nos vocais de apoio do refrão. Hoje O Tempo tem uma sonoridade bem peculiar, lembrando um lado obscuro dos anos 1980, quando, em meio ao grande número de bandas surgindo em Manchester, The Durutti Column chamava a atenção pelo uso das guitarras e timbres econômicos, ideia de seu líder, Vinny Reilly. Edgard, macaco velho e conhecedor dos atalhos, certamente tinha as aquarelas sonoras do grupo em mente. Bolhas de Sabão é psicodélica, fofa e sessentista, trilha sonora de passeio no parque sábado de tarde.

Meu Lamento é um instrumental sem muita função definida, meio lúgubre, meio sintético, meio soturno, que tem na curta duração e sua maior qualidade, logo dando espaço para Concha, que surge acústica, singela, setentista, totalmente calcada no binômio violão/voz, algo bonito e raro nos dias de hoje. Com o tempo ela se transforma em clara criação psicodélica, com metais e levada dolente, algo como se Os Mutantes originais tivessem passado pelo estúdio para dar algumas dicas.Rio Rastro, logo em seguida, é um instrumental com clima é de guitarras intervindo em melodia hipnótica e sem pressa para terminar. Eu Acho Que Posso Esperar é outra canção que visita a tranquilidade guitarrística de The Durutti Column, com entrelace de acústico e elétrico em torno da voz de Silvia. O encerramento com Meu Lamento é delicado, soturno, falsamente simples, com mais comunhão de sons elétricos e orgânicos, com certo ar fadista em algum lugar não muito definido.

EST é uma criação coletiva com cara de projeto rascunhado sem compromisso e parecendo casual. Tem estrutura, conceito e noção de início, meio e fim, exibindo modernidade cosmopolita e doçura agreste legítimos. Típico projeto sem compromisso com qualquer outra coisa que não seja a satisfação de seus envolvidos. E do público. Bem bacana.

domingo, 3 de julho de 2016

Autoramas - O Futuro dos Autoramas [2016]

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Por Cesar Monteiro em  Ambrosia

“O Futuro dos Autoramas” (Autoramas, 2016) é o sugestivo título do novo álbum do sAutoramas, que vem a ser a estreia em estúdio de sua nova formação. Durante 16 anos, a banda de Gabriel Thomaz foi um power trio, agora é um quarteto. Na verdade um dream team do rock garageiro nacional. Além de Gabriel, a formação conta com a ex-Penélope Érika Martins, o ex-Raimundos Fred Castro na bateria e o ex-Carbona Melvin no baixo, quebrando a tradição dos Autoramas de sempre trazerem uma menina no instrumento. Embora ainda haja uma menina na banda, agora ela se encarrega da guitarra de base, teclado e percussão.

A nova formação já estava se apresentando ao vivo desde 2015, pelo Brasil e no exterior, passando também pelo Rock In Rio. Mas apesar da nova configuração, a sonoridade continua fiel à mistura de rockabilly dos anos 60, Jovem Guarda e New Wave que os consagraram. A faixa de abertura ‘Quando A Polícia Chegar’ é o cartão de visitas, uma típica composição “autorâmica” assim como ‘Problema Seu’ e ‘O Que Você Quer’. Porém passam longe do autoplágio ou cover de si próprios. Apenas mantendo as características essenciais.


Em boa parte das músicas, Érika se encarrega do backing vocal, eventualmente dividindo a dianteira com Gabriel, na mesma linha de Kim Deal e Frank Black no Pixies, mas ela assume o protagonismo total nas faixas ‘Demais’ e ‘Rolo Compressor’. A segunda já constava no álbum solo da cantora, “Modinhas”, lançado em 2013, mas aqui ganha uma nova roupagem, com mais efeitos e peso e distorção no refrão. Bons momentos do disco também são as faixas em inglês como ‘What Do You Mean To Me’, ‘Jet To The Jungle’ e uma energética versão power pop de ‘Be My Baby’, hit de 1963 escrito pelo produtor e compositor Phil Spector e imortalizado pelas Ronettes. Por falar em versões, a última faixa ‘Garotos II – O Outro Lado’ é uma interessante releitura da música ‘Garotos’, sucesso de Leoni.

O que garante a coesão, a exemplo do que se tem visto no palco, é o fato de serem os novos membros serem pertencentes à mesma turma, são não apenas contemporâneos como colegas de cena, o rock de garagem dos anos 90, que cresceu aliada às casas de show alternativas e à cultura fanzineira. Gabriel e Érika são casados e tocam juntos no projeto paralelo Lafayette & Os Tremendões – banda que faz versões de músicas da Jovem Guarda e conta com o lendário tecladista Lafayette, responsável pelo órgão icônico daquelas canções. Além disso, colaborou em algumas faixas do disco solo da cantora como músico e compositor. Fred já era baterista da banda de Érika, e Melvin, um velho camarada.

O disco foi gravado em diferentes estúdios: o Escritório, no Rio, a Toca do Bandido, lendário estúdio (um dos melhores do Brasil) montado por Tom Capone, e o Warner/Chappell. As gravações foram mixadas, respectivamente, por Lê Almeida, Jim Diamond (que trabalhou com White Stripes) e André Paixão. A capa, assinada pelo brasiliense Paulo Rocker traz um desenho da banda com motivação futurista, fazendo uma brincadeira com o título do álbum.

“O Futuro dos Autoramas” aponta aponta uma nova direção, mas reforçando em cada faixa o maior trunfo da banda: o peso e a fúria alinhados harmonicamente com a melodia. O tempo de estrada e a camaradagem entre os membros também conspiram muito a favor, no melhor estilo “all star band” underground.